Poesia Antropofágica





O assunto surgiu enquanto tomavam o terceiro ou quarto copo de whisky.

Debruçados na mureta do prédio observando as ondas batendo no pier, falavam antes dos orixás e seus elementos.

Do candomblé à umbanda, da umbanda aos caboclos, dos caboclos às tribos que praticavam a antropofagia.

Então descobriram-se crentes da mesma teoria sobre tal assunto.

Ambos olhavam com olhos admirados os anais antropofágicos.

Admirados pela beleza, pela poesia envolvente deste tema, posto quase sempre como algo bárbaro.

Imaginaram os rituais.
O índio guerreiro da tribo inimiga era capturado.
Então passava dias e dias sendo tratado como um rei e não como um prisioneiro após sua captura.
Nesses dias ele tinha à sua disposição as melhores comidas, as índias mais belas...
Era o período de engorda* do prisioneiro que em breve seria devorado.
Seus pedaços seriam compartilhados de maneira hierárquica entre os índios da tribo.
Antes de sua execução, porém, o prisioneiro deveria mostrar-se corajoso e forte perante os demais.
Os índios que tinham medo de morrer, que demonstravam covardia, eram descartados e enviados de volta à sua tribo como uma humilhação, uma zombaria...
Aqueles outros que se mostravam bravios, no entanto, viam a morte com prazer.
Acreditavam perpetuar-se dentro de cada índio que a eles devorassem.

Acenderam um cigarro.
Ficaram mudos por alguns instantes.
Não havia barbaridade nesse tipo de antropofagia, pelo contrário...
Era poético, até.
Voltaram ao salão para mais um copo de whisky, deixando o cheiro da maresia para trás.
A noite era bonita.
O mar com suas ondas fazia um barulho gostoso de se ouvir.
Duas pessoas.
Dois seres com almas gritantes pedindo para serem um dia devoradas...



Parceiros:

Apenas Mais Um Devaneio











Não temo intempéries.
Nem temporais.
A calmaria, esta sim, é digna de temor.
É quando as coisas acontecem taciturnas, sem lhes darmos os devidos préstimos.
Neste momento coisas insignificantes podem se trasnformar em catástrofes, às quais, depois, se lhes dão o nome de "acidentes" (independentemente da causa prima).
Tenho enxergado o mundo assim em meus "devaneios".
Uma gripe aqui, uma guerra acolá...
Uma moça morta numa manifestação, um avião que cai...
E o mundo inteiro voltando sua atenção pra direção equivocada...
Até quando?


Parceiros:



Versos

Versos, versos, versos, versos!
Que não são meus, que daqui não saem.
Hora passam, hora fogem, hora nada, ora bolas!
Não são de ninguém, pois que não vêm...

Palavras que se encontram tal qual gotículas de água formam nuvens:
Versos, versos, versos, versos!
O poeta é o vento...
Parceiros:

O Último Trago


o ultimo trago libério lara
Era o último cigarro que ele fumaria naquela noite. Desceu as escadas rumo à garagem enquanto dava o primeiro trago. Seu carro estava sujo. Poeira, poeira molhada... terra, sangue! Balançou a cabeça em sinal negativo, amaldiçoando aquele dia horrível, a noite quente, o início de madrugada estressante.

Nao deveria ter sido daquela maneira, ele bem sabia. Mas existem coisas sobre as quais nao temos controle algum. A tempestade daquela manha, o carro descendo a estrada de terra batida, rodopiando desgovernado, enlamaçado... e a garota caída na beira da estrada. Ela nao deveria estar ali.

O delegado da Sétima Depol Local, sujeito bossal, intrinseco,sem meias palavras proferiu o que ele nao gostaria de ouvir: se a garota viesse a morrer, ele estaria encrencado.

Os pais, camponeses, chegaram duas horas depois. Confusos, sujos, molhados de lágrimas, chuva e suor: Camila morreu aos doze anos de idade, atropelada por um carro desgovernado dirigido por um sujeito esquisito que fumava o tempo todo, enquanto esperava o único ônibus que a levaria para a escola na cidade mais próxima.

Ele, o sujeito esquisito, pagou fiança aconselhado pelo advogado e foi-se, deixando a família da garota sem dar-lhes explicaçoes, sentimentos de pesar, algum tipo de conforto. Apenas foi-se, sem perceber que Juvenil, pai da garota, o seguia com os olhos. E com o pensamento. E com o corpo...
Juvenil estava ali, ao lado do carro sujo naquele início de madrugada, enquanto ele dava o último trago em seu cigarro.

Era o último cigarro que ele fumaria naquela noite...

Parceiros:
trem de minas site de compra bh

Hoje vai Chover


chuva2

Hoje vai chover. Chuva gostosa vem pra encerrar mais um dia..

Dia terno esse, calmaria mesmo.

Compromissos cumpridos, é hora de estudar. Colocar as coisas em ordem, ajeitar as gavetas dos sonhos e metas, planejar... estratégias de uma guerra silenciosa, onde há apenas um combatente e uma arma: eu com meu potencial.

Vasculho nos rincões da minha consciência à caça de pudores , cismas, medos... minucias que poderiam boicotar planos mais audaciosos. Encontro resquicios de pré conceitos, nada que abale as estruturas dos meus desejos.

Guerra austera essa, apesar de solitária e silenciosa.

Não obstante, guerra necessária conquanto existam adversidades, dualidades, receios, vicissitudes interiores a serem combatidas a fim de conquistar objetivos traçados, sejam eles quais forem...

Guerra de mim com minhas deficiências, enfim!

Menino índio que calça o saaripé, tomo meu vigor como norte e me ponho à prova.

Que venham as tucandeiras então!

Volto o olhar para o belo horizonte no caminho de volta pra casa. Os pássaros voam baixo avisando chuva próxima.

Hoje vai chover…

Mais Uma Vez, 14 Bis

No último sábado, num evento bacana em comemoração aos 152 anos de Pará de Minas, minha cidade natal, o pessoal do 14 Bis se apresentou num show muito gostoso, presenteando os ouvidos do público com canções como “Caçador de Mim”, “Bola de Meia, Bola de Gude”, “Todo Azul do Mar”, entre tantas outras preciosidades que compõem o belíssimo repertório da banda mineira, que contou com a presença do músico Marcus Viana no palco.
P8100172[1]
Acompanhado dos meus amigos Tchen Vilela e Evandro Alvimar, troquei o fim-de-semana de filme e pipoca que havia planejado aqui em BH para, mais uma vez, curtir o show dessa banda que conta com 32 anos de estrada, deixando poesia em forma de música pelos caminhos onde passa.
P8100165[1]

Sobre a Velhice

 
olhar-sobre-a-velhice liberio lara
 
Outro dia eu passeava com uma amiga pela Praça da Liberdade quando ela avistou um casal de velhinhos que caminhavam de mãos dadas: “Olhe que fofo os dois! Tadinhos...” foi a frase que ela pronunciou.
Tadinhos?
Realmente as pessoas tendem a sentir pena dos idosos. Penso que a velhice não deveria ser vista com olhares tristes, quando imaginamos que aquelas criaturas velhinhas, de passos claudicantes e palavras vagarosas, estão mais próximas do fim da jornada.
Ora, o fim da jornada é processo natural. É inevitável. E não são apenas os idosos que encerram uma vida.
Quando encontro algum velhinho caminhando pelas ruas, penso na sabedoria que ele possui. Penso em suas experiências de vida e em tudo que poderia me ensinar. Penso nas alegrias que aceleraram seu coração, nas tristezas que lhe arrancaram lágrimas. Quantas emoções ele viveu? Quantos amores? Quantos corações partidos, presidentes e generais, prefeitos e vendedores de picolé?
O ser idoso possui na alma, tudo que ainda não temos, tudo que ainda não vivemos.
Tadinhos?
Sim, pobre juventude que ainda sabe tão pouco e viveu menos ainda...
 
 
Parceiros:
 
multiplicar automoveis venda troca financia bh pedro II

Um Menino Que Não Sabe Amar



amor liberio lara

Te amo assim, com toda pretensão que meu egoísmo pode impor.
Amor esse que sucumbe à ligeireza do seu sorriso estampado bonito no canto da boca, dando vida àquele amor que deixa ir, que faz a gente ir...
Te amo com doçura, quando nada mais importa, só o vício bom de um bem querer...
Te amo como um louco, como um animal uivando à lua procurando o gozo na carne, na pele que em desejo se entrega sem pudor: amor épico!
Te amo de tantas formas que o impossível se faz em canto: encantos que embriagam a alma como o vinho que outrora ficou...
Te amo tanto, que tampouco as palavras me dizem. Amor que se esgota no perdão.

E que seja assim, então!
Que meu amor por você seja perdoado.
Pois eu te amo como um menino!
Um menino que não sabe amar...

Leia também:

manual de instruções da mulher liberio lara

Parceiros:

barroca motos compra venda troca financia consignação acessórios motos capacetes

O Homem Que Sonhava Com Deus – 2

 

uma-palavra-de-deus-para-voce

 

 

_ Oi, seu Deus!

_ Oi Tião!

_ Tá aí o senhor de novo, né?

_ Sempre, Tião...

_ É sonho de novo?

_ Sonho, devaneio, fantasia, loucura, heresia... como queira chamar...

_ Pode ser isso tudo, seu Deus... menos morte!

_ Eu rio muito com você, Tião! Quem disse que você vai encontrar-se com Deus apenas na hora da morte?

_ Uai, seu Deus... É quando o senhor vai julgar os pecados da gente e...

_ Opa! Calma lá! Julgar?

_ E não é?

_ Eu sou Deus, Tião! Não sou juiz...

_ Nem vem, seu Deus! E quem é que manda a gente pro céu ou pro inferno então?

_ Bom... se existisse céu ou inferno, eu diria que suas próprias consciências o fariam...

_ Entendi não, seu Deus...

_ É, eu sei que não...

_ E o senhor, como andam as coisas, seu Deus? Olhe, o mundo tá muito esquisito, seu Deus... tem guerra pra todo lado, gente morrendo por causa de tóxicos, pai matando filho, filho matando pai... desculpa aí, mas como o senhor deixa?

_ Concordo com você, Tião! Muito esquisito mesmo. Mas eu só faço observar, filho! O maior presente que dei a vocês foi o livre arbítrio. Vocês têm o poder de fazerem o que bem entenderem de suas vidas. Alguns seres humanos realizam feitos extraordinários, outros se metem em tanta confusão durante a vida, que não imagino como conseguem...

_ E o senhor não faz nada, seu Deus?

_ Nada, Tião. Trabalhei tanto enquanto criava os seres mais complexos que já encontrei, que não faço mais nada além de observar. Porque eu sei que no final, tudo terminará bem...

_ Será, seu Deus?

_ Será, Tião... será!

 

Mais artigos do Homem Que Sonhava Com Deus:

uma palavra de deus pra vc texto 01 Libério Lara

 

Parceiros:

auto chev comercio de auto peças bh pedroII

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...