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Onde Estão Os Versos?




A cena é clássica:
Os dedos dançam sobre as teclas da máquina de escrever, as hastes golpeiam a fita que lança a tinta ao papel. O som no ambiente é como a batida de uma bateria, que marca o compasso da música. Mas eis que de repente a canção se interrompe. O papel é arrancado num gesto brusco, embolado, amassado, atirado ao chão... une-se a outros tantos. O poeta suspira, leva as mãos à cabeça, acende um cigarro, toma um gole do café amargo que sequer notara frio. Vai até a janela, lança o olhar perdido ao mundo lá fora. Onde estão os versos?
Penúria – maldito momento na vida dos amantes das palavras que agora serpenteiam fugidias. Momento cruel, momento vão! Nem as flores no jardim, nem a menininha brincando no balanço, nem as andorinhas enfeitando o céu azul, nem o beijo da menina dos olhos, nem a complexidade apaixonante dos homens, nem o cheiro da terra molhada... nenhuma das sutilezas que inspiram o poeta, servem-lhe de prumo. As palavras simplesmente não acontecem. E este não acontecer golpeia a alma, machuca, dilacera, corrói. Mas não mata.
E eis que o poeta decide fazer da própria inércia criativa sua musa inspiradora. Tamanha necessidade de palavras, tamanha obsessão de arte, tamanha necessidade de criação...
Onde estão os versos?




Versos, versos, versos, versos!
Que não são meus, que daqui não saem.
Hora passam, hora fogem, hora nada, ora bolas!
Não são de ninguém, pois que não vêm...

Palavras que se encontram tal qual gotículas de água formam nuvens:
Versos, versos, versos, versos!
O poeta é o vento...





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“Odeio Química! Porque o amor é tão complicado?” ou “Porque o amor é tão complicado? Odeio Química!”















Odeio!  Desde os anos noventa, quando, no primeiro ano do segundo grau, me tentaram explicar o que era química. Nessa tentativa, no final do terceiro ano do segundo grau, a única coisa de química que eu sabia era que eu tinha um problema sério com a periodicidade da tabela...
Química!
Sempre fui do abstrato, do inexplicável, do tenebroso universo onde as razões ficam meio sem sentido. Prefiro a vírgula ao ponto final.
Numa das minhas andanças, acabei conhecendo a química, tal qual é. Acabei descobrindo que tenho uma química com a química!
Sempre ouvia as pessoas falando sobre a química quando queriam falar de amor:  Mas... e a química?
Opa! Se o amor tinha mesmo alguma coisa a ver com a química, eu tinha que tratar logo de entender a química pra depois entender de amor...
Foram meses e meses dormindo sobre pilhas e pilhas de livros sobre química. Confesso que não devorei todos aqueles livros com os olhos de um cientista. Li  cada um deles com a visão de um poeta, querendo encontrar o amor naquele emaranhado de razões...
Misturei os elementos, inventei fórmulas de carinho, respeito e amizade. Descobri a harmonia. Mas era a harmonia. O amor estava além.  Tropecei no ciúme, na insegurança, na mentira, no desafeto, no medo. Mas, na hora que pensei em voltar atrás, descobri que até esses elementos que me foram cruéis, também faziam parte do amor. Porque o amor estava além...
Sério, entender de H2O é bem mais fácil!
Odeio química!
Porque o amor é tão complicado?





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