Rubão

Em fevereiro eu conheci o Rubão. Num hotel em Campinas. Fui pegar uma água numa madrugada e conversamos ali e falei que era escritor e que estava viajando pelo Brasil e ele me deu uns flyer´s de uma escola dele. Escola de paraquedismo.
Quando vi aquilo, pirei! Porra! Quero saltar! E Rubão me levou pra saltar. E Rubão me apresentou uma galera show de bola. E fiquei amigaço do Varley, que me buscou no hotel em Campinas e me levou pra Piracicaba pra saltar: contando piadas de Campinas a Piracicaba. De Piracicaba a Campinas. Rubão e esposa. Varley e esposa. E eu. No carro. Com esses amigos que fiz. Do nada. Duma água que quis beber de madrugada num hotel.
Falei que levaria esses amigos pelo resto da vida.
E fizemos planos! Vamos levar o paraquedismo de volta pra Pará de Minas, caralho! Dá, dá pra levar!
E segui viagem. E despedi do Rubão e do Varley. Com a certeza de que faríamos uma algazarra nos céus de Pará de Minas outrora.
Certezas!
Existem?
Pois que Rubão morreu num salto. O meu amigo morreu num salto. Dois meses depois de me levantar do chão junto com Varley, de uma queda de 4.500 pés. Eu vibrando o salto. Varley vibrando, Rubão vibrando...
“Vai de bunda mesmo!” gritava Varley...
E Rubão me deu as mãos, me levantou... e me perguntou:
“Tá feliz?”
Nunca respondi. Não pude responder. Rubão morreu antes que eu dissesse:
“Foi a melhor coisa de roupa que eu fiz na vida!”

Vovô




E dezoito anos se passaram desde que o vovô se foi. Partiu num março feio e triste de 1995 e nos deixou com uma saudade que nunca se esvaiu, pelo contrário, completou sua maioridade. Lembro de um Natal distante em meados da década de 80, quando vovô surgiu lá na Varginha* vestido de Papai Noel e nós (os netos mais novos, pequenas crianças),  gritávamos em uníssono:
“Nossa, o vovô é o Papai Noel!”

Pobres de nós! Mal sabíamos que não, vovô não era o Papai Noel. Vovô não era o bom velhinho. Nos treze anos em que pude desfrutar da sua companhia, vovô fez-se mais que um bom velhinho em minha vida. Vou explicar:

Nunca vi vovô brigar. Nunca vi vovô gritar ou se alterar. Vovô era a tranquilidade e serenidade em pessoa. No máximo das vezes, ele fazia gestos engraçados colocando a língua pra fora atrás de vovó enquanto ela (explodindo de vida que era), o xingava por alguma trapalhada sua.
Sim, vovô era trapalhão! Nós netos, sabíamos muito bem que era proibido pedir ao vovô que trocasse as lâmpadas subindo numa escada ou que subisse no telhado para pegar a peteca que havia caído ali. Seria tombo na certa! Vovô se atrapalhava tanto que certa vez conseguiu (pasme!) prender a orelha na porta do seu quarto. Uma vez enquanto pescávamos, pude testemunhar vovô pisando em sua mão para subir num barranco...

Ah! As pescarias com o vovô...
Foram tantas, mas sinto hoje que foram tão poucas! Vovô nos ensinou a pescar traíras, a iscar o anzol, a escamar os peixes, limpar, colocá-los num galho de árvore que nos ensinou a arrancar, propício pra tal. Vovô nos ensinou muitas coisas em nossas pescarias, vovô nos ensinou sua essência: a Paciência.
Quando eu ficava atordoado vendo meus primos pescarem e eu sem pescar nenhum peixe, querendo trocar de lugar, vovô dizia:
“Calma! Paciência! Fica aí... fica quietinho aí que ela vem!” e ela sempre vinha!

Vez ou outra vovô aparecia lá em casa e se aquietava no sofá. Dizia para minha mãe:
“A Lourdes inventou de arrumar a casa hoje e falou pra eu sair...”
E passava o dia ali, dormindo tranquilo e despreocupado com a vida.

Em dias de domingo, vovô deitava em seu sofá para sestear e um bando de netos se amontoava ao redor dele e ficávamos brigando para saber quem iria pentear seus cabelos. E vovô dizia com mansidão:
“Calma... Um de cada vez...” e éramos muitos!
Então cada um tinha o seu momento, penteando os cabelos do vovô. E ele ia fechando os olhos de mansinho, numa calma e sossego que eram só seus, como fazia seu passo-preto quando vovô com os dedos, acariciava sua cabeça.
Quando acordava, nos levava ao mercado do Antônio Espíndola a fim de comprar pão pro café da tarde. Voltávamos com chocolates, pirulitos, balas, chicletes, sorvetes...

Sempre que ia pra Varginha* vovô enchia seu Corcel cinza de netos. Bem cedinho, antes do sol nascer, nos levava ao curral (nós com os copos de alumínio abarrotados de chocolate em pó) e enchia um a um de leite fresco, tirado na hora das tetas das vacas. O cheiro do curral, da despedida da dama da noite, do orvalho na grama... era cheiro de felicidade!
Depois saíamos para brincar e vovô pegava seu cortador de gramas e só parava para separar uma ou outra briga que ocasionalmente acontecia.
Mais tarde saía conosco lá pro alto do pasto, onde ficávamos empinando papagaios até a hora do almoço. Depois descíamos para pescar e quando voltávamos, depois do jantar, ficávamos altas horas jogando o que ele mais gostava nos jogos de carta e nos ensinou com maestria: Buraco...

E nossa infância foi passando assim, com o vovô...

De repente vovô se preparou pra partir numa doença dolorosa. Vovô não se foi assim, bruscamente.  Ele decidiu partir devagar, tomou o sofrimento pra si, para que não sofrêssemos tanto, para que pudéssemos de alguma forma, nos preparar e nos despedir.  Eu conheço o vovô. Ele preferia sofrer ao ver os outros sofrerem.
E assim ele fez... até que foi-se, num março feio e triste de 1995.

Volto a lembrar daquele Natal, quando vovô chegou vestido de Papai Noel. Se alguém chegasse e me perguntasse ali:
“O que significa vovô para você?”
 Eu responderia, imbuído de toda sinceridade e sabedoria inocente que a vida ainda não havia me arrancado:
“Vovô é o masculino de Paz...”



...



Hoje, vinte e tantos anos depois daquele Natal, relendo este texto e destituído daquela sabedoria inocente, mas com toda sinceridade de alma e lágrimas saudosas no rosto:

“Vô, você faz falta pra caralho!”




* Fazenda Mourão - São José da Varginha - MG




A cidade que eu não conheço





A cidade que eu não conheço me assusta. Há algo de noturno, de sombrio nas suas esquinas. Eu não sei o que há além daquele prédio. Quanto maior ela me parece, maior o medo. Suas ruas parecem sussurrar palavras de xingamento e zombaria:

Que fazes aqui, atrevido forasteiro?
Que queres de mim e de meus filhos?
Queres ficar? Pois me conquiste...


Tudo parece estranho demais. Tudo parece inóspito demais. As pessoas não te enxergam, não te conhecem, não te esperam. Aí você se sente só. E só, entra no quarto do hotel e se tranca. Olha pela janela e a cidade lá fora é um bicho faminto que quer te devorar.

Paradoxo mais lindo esse: a cidade irá te devorar, se você se trancar!

Então você sai pelas ruas, alamedas, avenidas, ladeiras. Conhece o senhor do cachorro-quente, discute futebol com o taxista, toma uma cerveja com a moça da loja de perfume, lê um livro na praça da cidade – cidade que você passa a conhecer. 
E a gostar.
E o medo se esvai.
E o bicho faminto faz-se em ninho.
E o quarto do hotel já não é mais teu abrigo.
É tua cela.
E quando você parte, a cidade que agora você conhece te presenteia.
Agora você tem mais uma saudade para sentir...


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E se?


E se lá na nossa primeira infância nos ensinassem que sonhos são realmente possíveis e que não importa o tamanho deles, mas o tamanho da nossa vontade? E se nos ensinassem que obstáculos na verdade não existem, que o que existe na verdade são situações que ocorrem para aprendermos a fazer diferente? E se nos explicassem que o tamanho da perda será exatamente do tamanho do apego?

E se nos dissessem que inferno na verdade não é um lugar, mas uma situação criada por nossas consciências? E se nos dissessem que o bicho papão nunca morou embaixo das nossas camas? Se nos ensinassem que meninos e meninas se amam como meninos e meninos e meninas e meninas? Se nos falassem mais de amor do que de dinheiro? Se nos ensinassem a brincar de ler?

E se nos mostrassem o mundo sem explicações e definições? Se nos deixassem aprender sem imposições? E se nos dissessem que a liberdade é uma dádiva que a gente recebe de graça e mantém a alto valor? E se nos ensinassem que lealdade são serezinhos de quatro patas que nos lambem e abanam o rabo quando estão contentes? E se nos dissessem que trabalho significa trabalho e que isso não é bom?

E se nos ensinassem que uma das leis primordiais de todas as culturas e sociedades era a de que, para nos mantermos financeiramente, deveríamos fazer algo que a gente realmente gosta? E se nos ensinassem que a tristeza e felicidade sempre são passageiras e que somos os únicos culpados por esses sentimentos?

Se nos dissessem, se nos mostrassem, se nos explicassem, se nos ensinassem...

A gente aprenderia?


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Vai lá!

Nuvens Ladras






Ensaio um verso nesse crepúsculo. 
O sol se põe e nada sai.


Nada sei (não sinto nada).

Não tem amor pra declarar hora dessas.
Não tem moça dos olhos, dos medos, do querer...

Nenhum querer!


Nem as estrelas deixam-se avistar – nuvens ladras! 
Devolvam-me minhas inspirações! 








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Acreditar no fim do mundo faz bem











Eu acredito nesse lance de fim do mundo. E penso que as pessoas também deveriam crer. Mas não... esqueçam este negócio de meteoros chocando-se com a Terra, tsunamis gigantescas transformando a Terra em água, três dias de trevas, o apagão do Astro Rei congelando os continentes... não! O fim do mundo ao qual me refiro é aquele onde você fecha os olhos e não abre mais. Neste momento o mundo acabou pra você, meu caro! E é inevitável. Acontece com todo mundo. Uma outra vida, tal qual a que você viveu? Nunca, jamais!

Essa história de fim do mundo me fez refletir. Percebi que a maioria das pessoas vive como se o mundo não fosse acabar, quero dizer, vive como se fossem eternas, como se nunca fossem morrer. Deixam tantas coisas para amanhã, adiam viagens, interrompem sonhos, planejam uma aposentadoria linda que – vai saber se vai chegar! Guardam dinheiro, engordam suas contas bancárias abrindo mão de pequenos prazeres em prol de um futuro que será que vai existir?

Como disse o Poetinha: “Cuidado, companheiro! A vida é pra valer! E não se engane não! É uma só! Duas mesmo que é bom ninguém vai me dizer que tem sem provar muito bem provado com certidão passada em cartório do céu e assinado embaixo: DEUS! E com firma reconhecida! A vida não é de brincadeira, amigo. A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida...”

Portanto, acredite no fim do mundo! Isso vai fazer com que você viva de verdade, com mais verdade...

Super






Viu, eu te amo!
E este amor me dá tantos motivos de vida que não caberiam dentro daquela lista enorme de paradigmas que escrevemos juntos certa vez.
Viu, eu te admiro tanto!
Sua indignação pelo que é feio, sua vontade do bem, sua maneira descomplicada de complicar as coisas, seu jeito doce de me chamar de maluco, suas brigas quase que diárias com a indecisão – falta de certezas ou quase amor pela questão? Ah! Tens um amor descomunal pela questão!
Viu, seus olhos são tão lindos!
O verde que brilha ali não apenas seduz; seus olhos são muralhas que hipnotizam e igualmente cegam aqueles que tentam penetrar-lhe a alma. Mas não és monstro, não és Medusa! És um anjo disfarçado em erro, és a própria vontade de acertar! És cruel em verdades, mas não machuca. Tu és tu. E mais ninguém.
Viu, sinto tanto a sua falta!
Discutir sobre deuses provando o vinho de Baco, procurar soluções para as fúrias do mundo enquanto decide entre suco de laranja ou coca-cola na lanchonete (duvidar de ti é um abuso, um perigo!), pipoca com pimenta, barzinho e violão!
A amizade que ficou é o presente mais lindo que me deste!
Ela é a causa prima dessa saudade que conduz essas linhas de amor.
Ela é uma das coisas que tenho de mais bonito.
Ela é minha.
Ela é sua.
Ela é super!


Eu Vim Para Lhe Fazer Sofrer


Não se engane mais comigo, querida. Você acredita mesmo que eu lhe trarei paz, serenidade, segurança? Não, bebê! Não se iluda com minha voz mansa, com meu jeito calmo. Não pense que a doçura dos meus gestos podem lhe trazer tranquilidade ou coisa do tipo. Eu não entrei em sua vida para lhe fazer feliz, como você quer supor. Felicidade é uma dádiva que a gente não recebe de ninguém. Tampouco entrei em sua vida para lhe confortar, lhe dar abrigo, carinho, colo, atenção... não! Por favor, não me creia assim! Não me creia mais assim, porque eu já não creio mais...
Talvez seja difícil aceitar. Talvez pareça uma ideia inconcebível demais. Mas é a pura verdade: eu vim para lhe fazer sofrer, amor.  Eu vim lhe tirar o chão, vim colocar todas as suas verdades em cheque e lhe apresentar um mundo de incertezas que, à priori, podem lhe parecer cruéis. Tão cruéis que, ainda sinto, você as desconsidera, como que numa tentativa de espantar a dor. É como aquele inverno de 2006, lembra?  Para dizer que te amava tanto, mas que você não valia a pena, eu recitei um poema de Vinícius debaixo daquele céu de Araçoiaba, inundado de estrelas de toda sorte. E você sorriu, nem cismou em argumentar. E eu, falho que sou, retratei aquele sorriso ingênuo de quem teima em se iludir na memória e rechacei (mais uma vez).
E os anos nos passaram tão rápidos! Houve um tempo em que me acostumei com sua ausência. E me apaixonei por ela. Me apaixonei pela ideia de que existia alguém, em algum lugar, que me continuava. Romantizei a nossa história e me apeguei a ela de modo tão ousado e insano, que consegui manter-te viva aqui dentro, até a próxima vez.
Pelos deuses, bebê! Como eu desejei fazer-te bem! Cuidar de você como se cuida da flor mais frágil. Fazer parte da sua vida de maneira intrínseca, lhe acordar com café da manhã posto, um beijo e uma boa notícia. O universo sabe o quanto eu queria sua felicidade comigo! Mas... eu vim para lhe fazer sofrer. Eis a verdade que eu constatei tão logo nos despedimos na última vez: todas as minhas tentativas de amor fizeram com que nos afastássemos cada vez mais. Ser amada incondicionalmente é algo estranho demais para você. Você aprendeu que o mundo não é assim. Você aprendeu que sempre existem intenções escondidas atrás de cada gesto de carinho ou afeto. Sua experiência fez com que você acreditasse que nada é de graça e que uma história mágica de amor não pode ser vivida senão nos filmes ou nos livros.
Portanto, amor... peço para que não se iluda mais, assim como eu me iludi. Eu não quero sua felicidade ilusória. Eu não quero seu sorriso fantasioso e a crença mentirosa de que estaremos juntos, no universo demasiadamente incerto do minuto seguinte. Eu quero sua dor, eu quero sua lágrima e quero seu mundo completamente desmoronado. Eu quero lhe fazer sofrer.  Eu vim para lhe fazer sofrer.
Pegue minha mão.
Veja o mundo cruel onde vivemos.
As pessoas não se importam.
Eu não me importo.
Você não se importa.
Pegue minha mão.
Me dê de presente suas dores e suas angústias.
Eu vim para lhe fazer sofrer.
Pois não é seu sorriso que habito e sim, sua penumbra.
Abra os olhos e veja a verdade que lhe mostro:
Nós jamais ficaremos juntos.
Porque eu te amo desde a primeira vez. Eu ainda te amo como a primeira vez. Mas depois de tantos anos, por mais que eu me esforce e tente, não consigo te levar a sério como antes ...



“Toda pureza que vem do teu olhar, eu não sei mais sentir...”
Renato Russo


Oh Céus!







Sentir me faz falta.
Preciso confessar minha carência. Carência daqueles sentimentos que tornam um cara como eu, um ser mais vivo. Carência daqueles sentimentos que me inspiram e embriagam minha alma. Carência de fogo, de paixão, de alarde, de erros!
Quero um sorriso bobo estampado no meu rosto, quero o coração descompassado por um beijo, quero o passo em falso – momento divino em que a gente se entrega de corpo e alma ao universo maravilhosamente desconhecido do próximo minuto.
Quero me apaixonar perdidamente e, perdido, não conseguir voltar.
Quero provocar risadas, arrepios, mordidas, devaneios,  xingamentos de bobo, de chato, de feio, de meu...
Quero dormir abraçado e acordar ao lado da moça que eu quis.
Quero aquelas promessas de amor que só os olhos sabem pronunciar e os corações sabem cumprir. Quero querer pra sempre, mesmo sabendo que é longe demais.
Oh céus!
Como eu quero suprir essa carência que sinto de mim mesmo...



Onde Estão Os Versos?




A cena é clássica:
Os dedos dançam sobre as teclas da máquina de escrever, as hastes golpeiam a fita que lança a tinta ao papel. O som no ambiente é como a batida de uma bateria, que marca o compasso da música. Mas eis que de repente a canção se interrompe. O papel é arrancado num gesto brusco, embolado, amassado, atirado ao chão... une-se a outros tantos. O poeta suspira, leva as mãos à cabeça, acende um cigarro, toma um gole do café amargo que sequer notara frio. Vai até a janela, lança o olhar perdido ao mundo lá fora. Onde estão os versos?
Penúria – maldito momento na vida dos amantes das palavras que agora serpenteiam fugidias. Momento cruel, momento vão! Nem as flores no jardim, nem a menininha brincando no balanço, nem as andorinhas enfeitando o céu azul, nem o beijo da menina dos olhos, nem a complexidade apaixonante dos homens, nem o cheiro da terra molhada... nenhuma das sutilezas que inspiram o poeta, servem-lhe de prumo. As palavras simplesmente não acontecem. E este não acontecer golpeia a alma, machuca, dilacera, corrói. Mas não mata.
E eis que o poeta decide fazer da própria inércia criativa sua musa inspiradora. Tamanha necessidade de palavras, tamanha obsessão de arte, tamanha necessidade de criação...
Onde estão os versos?




Versos, versos, versos, versos!
Que não são meus, que daqui não saem.
Hora passam, hora fogem, hora nada, ora bolas!
Não são de ninguém, pois que não vêm...

Palavras que se encontram tal qual gotículas de água formam nuvens:
Versos, versos, versos, versos!
O poeta é o vento...





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