Sombrio, de Adler Nobre

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Conheci a obra do jovem autor Adler Nobre, através de Márcia Rios. “Sombrio” é um livro que nos leva a um mudo imaginário, onde espíritos, bruxas, anjos e demônios convivem com os seres humanos, literalmente, de forma fantástica.

Augusto, um garoto às vias de completar a maioridade vê seu pai assassinado de forma cruel por um espírito maligno e promete se vingar. Na busca desta vingança, o jovem se vê diante de verdades que haviam sido omitidas, desde seu nascimento.

Decidido a descobrir sua verdadeira identidade e vingar a morte do pai, Augusto conta com a ajuda de uma jovem exorcista e suas quatro irmãs, que são jovens bruxas.

“Sombrio” é um livro cheio de fantasias obscuras, lugares imaginários e situações fantásticas, que conduzem o leitor para aquele final onde serão aguardadas as cenas dos próximos capítulos.

Sem Perdão, de Márcia Paiva

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Há algum tempo atrás, minha amiga e escritora Márcia Paiva me enviou seu livro “Sem Perdão”. Logo nas páginas iniciais da obra, descobri tratar-se de um belíssimo presente, que me remeteu aos tempos de adolescência, na época em que eu devorava as obras de Marcos Rey. Sim, me senti como se estivesse lendo uma obra do próprio autor, senti saudade dos romances policiais, que não leio há bastante tempo. Confesso no entanto, que ao final da leitura, um pedaço desta saudade foi saciada.

“Sem Perdão” é uma obra rica em criatividade. A autora conseguiu unir um belo romance vivido pelos protagonistas, em meio à cenas cruéis que fazem parte da realidade do nosso país. Uma garota pobre, moradora de uma comunidade carente de São Paulo, às vias de ser assassinada pelo chefe do tráfico local, conhece um tenente da ROTA, que se encontrava na mesma situação. Ambos se salvam e a partir daí a trama se desenvolve de uma maneira espetacular.

Ela passa a ser procurada pelo traficante e conta com o apoio do tenente para lhe dar segurança.

Parece que tudo pode terminar bem, mas Márcia Paiva brilha com o enredo de “Sem Perdão”, envolvendo os dois protagonistas em situações hora românticas, hora cruéis. E foi justamente esta dualidade de emoções que fez com que eu me encantasse pela obra. O fato de saber que, mesmo envoltos de verdades cruéis, o amor pode falar mais alto, sobreviver e fazer-se sobreviver, mesmo que a morte já tenha sido sentenciada…

Fica a dica, para quem gosta de uma boa leitura! Para saber mais sobre a obra, CLIQUE AQUI

Para saber mais sobre a autora, CLIQUE AQUI

 

Márcia, muito obrigado por me presentear com esta obra, da qual, sinceramente, virei fã! Parabéns pelo seu talento e pelo maravilhoso potencial!

 

 

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Ensaio sobre a Loucura












liberio lara loucura

De verdade, estou tão acostumado a ser chamado de maluco, louco, doido, habitante da lua, utópico, e mais sei lá quantos números de outros adjetivos que remetem à insanidade, que quando minha psicóloga disse: “Libério, você é absolutamente normal!”, eu respondi quase gargalhando: “Então você é mais maluca do que eu...”.
É que eu adotei estes adjetivos, não como apelido, mas como o próprio sobrenome, que, querendo ou não, entram no sangue e depois na alma, de onde não saem mais. E juro que gosto disto. Gosto de dizer que não sou normal.
Não sigo os padrões.
Sou bicho solto.
Bicho doido.
Não sou e não quero ser normal. Eu não quero ser responsável como os outros, vestir um terno e ir para o trabalho. Chegar às oito, sair às dezoito. Eu quero fazer o que gosto de fazer. Eu quero ser feliz, mesmo que para isto, eu tenha que ser louco.
Comecei a ser rebatizado na infância, quando ia para as festinhas de aniversário dos primos e amigos com um livro nas mãos. Enquanto a criançada brincava e se divertia com jogos e peraltices, eu ia para um lugar mais tranquilo e brincava de ler. Uma opção, como escolher entre brincar de bola ou vídeo game. E eu também brincava de bola e de vídeo game. Mesmo assim, sempre ouvia, quando aparecia com um livro nas mãos: “Vá brincar, menino! Parece doido sozinho, carregando um livro pra todo lado!”. Mas eu estava brincando...
Sabe aquela cena clássica do garoto que esconde uma revista de mulher nua por trás de um livro? Pois bem, fui pego pela minha mãe certa vez, com oito anos de idade, lendo “Zezinho, o dono da Porquinha Preta” por trás de um livro de matemática (façam o mesmo molecada, se preferirem matemática, ou ciências, ou anatomia feminina a Zezinho, o dono da Porquinha Preta).
Daí vieram a adolescência e a juventude. Nascido no interior, numa turma de onze amigos, fui o primeiro a aparecer com os cabelos totalmente raspados, depois grandes, depois usando brincos, depois com tatuagem... fui o primeiro a fumar cigarro, a tomar um porre... fui o único a fazer striptease e serenata em bordel... naquela época, os que criticavam minha paixão pela poesia, agora usufruíam dela, em forma de cartas que eu escrevia para suas “meninas dos olhos” (elas nunca souberam disto, amigo fiel que sou).
Em consequência destas cartas, que claro, eu escrevia com mais primazia para as minhas “meninas dos olhos”, fui também o primeiro a me apaixonar, o primeiro a ter um filho e a me casar (não, não... Igreja não. Não sou normal, já disse). Eu já estava no meu segundo casamento quando veio o próximo da fila (sim, sim... Igreja sim. Ele é normal).
Então veio a maior das minhas loucuras. A mais insana e doce das minhas decisões: Eu vou viver de escrever!
E minha psicóloga de mais de dez sessões, diz que eu sou absolutamente normal!
Quer saber? Fazendo um ensaio sobre a loucura, eu fico com um diálogo que ouvi ontem. Um diálogo simples e despretensioso que tirou lágrimas dos meus olhos. Uma cena do filme E Se Nada Mais Der Certo, dirigido por José Eduardo Belmonte:
_ Eu não sou normal.
_ Ninguém é normal. Só existem algumas pessoas que conseguem fingir melhor que as outras...
 
 
 
“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a musica.”
Friedrich Nietzsche



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Naquele dia que eu te vi…

voar

Naquele dia que eu te vi, foi assim... meus olhos não apenas te enxergaram, como te trouxeram cá pra dentro, pra morar em meus pensamentos mais bonitos.

Naquele dia que eu te vi, coração falou comigo. Bateu descompassado, inventando versos que rimam com aquela saudade que sentimos de coisas que ainda não vivemos.

Naquele dia que eu te vi, era o beijo - diálogo mudo que os lábios trocam em verdades impronunciáveis - que meus olhos buscavam...

Naquele dia que eu te vi, naquele dia que a gente fica um tanto bobo, sem conseguir expressar um sentimento, buscando palavras lá longe em tentativas vãs de falar de bem querer...

Naquele dia que eu te vi... passarinho procurando ninho num sorriso, num elo, num beijo! Passarinho livre querendo pousar...

Naquele dia que eu te vi... pois sim!

Eu voei...

 

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O Homem Que Sonhava Com Deus

uma-palavra-de-deus-para-voce

_Rapaz... o senhor é o senhor mesmo?

_ O que você acha?

_ Sei não... velhinho, barbona, cajadinho, túnica branca, fala mansa... parecer parece, mas se eu estou vendo o senhor...

_ Hahaha! Você me enxerga desta maneira porque foi assim que te ensinaram, desde a primeira infância, que eu era. Se dissessem a você que eu era uma garotinha de vestido rosa com sorvete nas mãos, provavelmente era esta garotinha que você estaria vendo agora...

_ Tá bonito que eu ia acreditar que uma menininha de vestido rosa com sorvete na mão ia dar conta de fazer o monte de coisa que o senhor fez... mas olhe, se eu estou vendo o senhor... ai, que desgraceira! Perdão pela palavra... mas... ai! Foi a pinga que eu tomei? Eu morri! Faz isso não, seu Deus!

_ Se acalme, homem! Você está apenas sonhando... mas pra quê apavorar tanto com a morte? Eu juro que não entendo vocês humanos...

_ Então é um sonho! Meu Deus do Céu! Graças a Deus! Quero dizer, graças ao senhor, seu Deus... mas aqui... se é um sonho, não é o senhor mesmo que eu to vendo, não é mesmo? É só um sonho! Bem que eu tava cismado mesmo, porque o senhor não parece ser assim tão velho...

_ Quem disse que você não pode se encontrar comigo em seus sonhos?

_ Ah, pare de balela comigo, sô! Então prove então! No que eu estou pensando agora, neste minuto?

_ “ Pare de pensar na Rosinha sem vestido, homem! Se esse homem for Deus mesmo ele adivinha as coisas... pare, pare...”

_ Eita que é o senhor mesmo! Ah, mas o povo lá da roça vai ficar danado quando eu contar que eu mesmo, encontrei com Deus no meu sonho! A propósito, desculpa aí pela Rosinha, seu Deus... é tentação, o senhor bem sabe...

_ Vai rezar mil Ave-Marias pelo pensamento profano!

_ Eita! Mil? Ainda bem que não pensei outras coisas...

_ Hahahaha! Eu estou brincando, homem! Rosinha é bem bonitona mesmo, não?

_ Não tem que rezar nada não?

_ Nada. Aliás, vocês humanos se castigam desnecessariamente o tempo todo, por motivos tão banais, que o que mais faço aqui às vezes, é ficar rindo de vocês...

_ Desculpa aí, seu Deus! Mas não to entendendo essa prosa sua não!

_ Eu bem sei que não.

_ Mas que eu vou contar pro povo todo que proseei com o senhor, ah, isso vou!

_ Conte, homem! Mas convenhamos, acha mesmo que irão acreditar que você se encontrou com Deus em um sonho?

_ Uai! Mas o senhor já me provou aqui, é fácil provar a eles também!

_ Não se incomode com isto, homem! Eu provo minha presença a vocês a todo instante. Seu sonho mesmo, chegará como inspiração a um escritor que colocará nossa prosa em papel e muitas pessoas terão acesso. E olhe, nem o próprio escritor acreditará que você existe e que de fato se encontrou comigo através de um sonho...

_Aqui, posso pedir só um favorzinho ao senhor? É coisa pequena, eu sei que é fácil pro senhor...

_ Pode, claro...

_ É que... o negócio de Rosinha... pega mal, né seu Deus! Manda o sonho pro escritor sem colocar meu nome no meio. O senhor sabe como é...

_ Hahahahaha!

_ O senhor tem um humor, hein? Ri o tempo inteiro! Eita, trem bão!

_ Vocês deveriam fazer o mesmo...

_ Olhe, seu Deus... to sentindo que vou acordar. To escutando o galo cantar lá de longe. Eu posso ver o senhor de novo?

_ Você me vê o tempo todo, homem! Pare de pensar que eu sou apenas este velho com cajado e vai começar a me encontrar em todos os momentos...

_ Eita que eu não entendo essa sua prosa não, seu Deus! Olhe que to acordando mesmo, boca seca que só! Eita, pinga braba de ontem! Fique com Deus, seu Deus! Quero dizer... fique com o senhor mesmo!

_ Eu fico, Tião! Vocês é que têm a mania de se perder de vocês mesmo o tempo inteiro...

_ Olhe o meu nome, seu Deus!

_ Você acha mesmo que as pessoas ao lerem um texto falando de um homem que sonhou com Deus, vão se incomodar com seu nome, Tião? Crie tento, homem! E acorde, acorde que o galo já cantou três vezes...

 

 

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MOTO FAMA

Saudade da Bahia

Saudade de falar que nem criança

Vontade do sorriso seu

Saudade do amor na praia

Do beijo que você me deu

Ai…

Que saudade que eu tenho da Bahia!

bahia

O Sonho que Acabou





Ele sonhava.
Sonho bom, tão bom que nem pensava em acordar.
Tinha hora, na verdade, que o sonho era tão bom que ele esquecia que estava dormindo. Sim, ele estava vivendo o sonho.
Sonho grande, tão grande que não cabia numa noite só. Sonho de sonhar acordado, era o sonho dele.
Aquele sonho era tão bom e tão grande, que já fazia parte dele. Ele virou um sonhador. Seus olhos expressavam seu sonho, suas palavras tentavam descrevê-lo, em vão...
Sonhava que só, sonhava só, só sonhava o sonho bom, no sono bom que a noite veio trazer. Aí a voz do anjo veio despertar, suave:
Acorde, rapaz! Acorde que seu sonho acabou”
“Que acabou o quê? Quero não, quero sonhar... o sonho é bom! O sonho é meu. Sai pra lá, seu anjo chato.”
“Acorde, seu besta! Seu sonho terminou...”
“Quero não, anjo ruim! Me deixe sonhando, que assim sou feliz! Me deixe sonhando, ninguém vai roubar o sonho meu!”
“Acorde, cabeça dura! Não viste que teu sonho era tão bom que acabou? Não percebeu que se foi? Seu sonho não existe mais, seu sonho terminou... terminou pra virar realidade...”
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